domingo, 24 de julho de 2016

Faço de ti o meu mapa e sei bem a direcção 
Nem os teus truques de magia me confundem o coração 
Mas fico a pensar: 
Que caminho escolher? 
Vou pela esquerda ou pela direita, 
Será que importa sequer?
Meto-me em trilhos e atalhos para fugir deste destino 
e ver se faço dele um caminho sem perigo 
Mas depois é quando chego àquela conclusão lixada: 
Será que importa se te escolho ou se te nada? 
Se és beco sem saída ou fim de estrada? 
Não sei se começa ou se acaba 
Porque o nosso semáforo é daqueles que nunca se apaga 
E eu juro que não quero (será?) 
Enganar-me no caminho e descobrir que afinal 
Vou dar sempre à mesma rotunda 
A bem ou a mal

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

M&M.

''E quando conseguires aquilo que queres, será que ainda queres o que conseguiste?''
Vejo-te lá no fundo da meta e sei que consigo,
se correr mais um pouco ainda te trago comigo
Mas quando penso em fazer um sprint
só para poder estar contigo
Percebo que afinal o ritmo lento
é aquele que trago comigo
E eu sei que sim
Sei que devia ter sabido
O problema é quando o que tu sabes
se mete no teu caminho
Pego no meu coração e fecho-o a sete chaves
Fechado só para que eu saiba
(e sinta) que ele está vivo - ainda bate
Sou como ovelha negra que se destaca do rebanho
E ando sempre em círculos
mas sinceramente eu já nem estranho
Sei que não te tenho mas também não preciso
porque trago comigo este vício conciso
De te querer só para mim embora o mundo me diga
Que o tempo chegou e tomou as rédeas da minha vida.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Breakups.

O teres ido embora não foi o fim de nada, foi só uma pausa.
E ontem foi como se voltasses a carregar no play.
É como se fosse uma música e esta, tal como todas as outras, também vai acabar.
Depois desta, é só pôres outra música a tocar.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Eles dizem que não sabem e nem querem saber
mas no fundo sei que são quem mais pára pra ver
E são irónicos no que falam mas nem sabem porquê
falar mal é-lhes bem mais fácil que dizer o abc
E o entretenimento nacional passa pela televisão
já que na maior casa do país só se vê podridão 
Então e nessas cabeças ocas cheias de presunção?
Afogam-se os dois neurónios em tanta solidão
Julgam-se mais espertos que os demais mas e se eu espremer?
Desse cérebro não roja nem uma gota de saber
E se o intelecto é pequeno, que dizer do demais?
Olho pra todo o lado e não suspiro 'ais'
Dizem que no meio da manada somos quem mais se destaca
e eu concordo mas só te digo que a manada é brava
por isso tem cuidado com essa língua afiada
vamos ver se não te morde com tanta trama traçada

Mr. Bunny

Mr. Bunny was trapped inside a wall and he couldn’t get out. But it wasn’t just some regular wall. You see, it was a wall inside of a beautiful Castle. So Mr. Bunny frequently saw himself as part of the royalty. 
He was a white bunny with rounded glasses, frankly too big for his small head, which he insisted on using saying they gave him an ‘’intellectual touch’’. He had two big front teeth that completed the look.  
Sadly, being trapped inside a wall can’t do much for you, he thought, and he sat on his glasses watching the world as it unveiled before his eyes. He felt so sad because he passed unnoticed through the eyes of so many people who came to visit the wall of his Castle. Oh well, he hadn’t certainly bought it but if he lived there all his life it had to be kind of his Castle, don’t you think? 
If only someone would look at him for a slight second and realize he was there, he was alive inside that wall! He felt like shouting but he couldn’t, he was trapped. As much as he loved his own private wall inside his own castle he couldn’t help but feel sad when he thought about the world out there and all the marvelous adventures waiting for him to live. He felt like a prisoner and he wanted to get out because living in your own world prevents you from seeing the worlds around you, you see? 
Every single day Mr. Bunny longed for that one look that would save him and he imagined what he would do when it happened. He felt like he was a smart bunny and that made him sure he could do whatever he wanted and be whoever he wanted to be. The world was so full of options!  
And one day, it happened. Mr. Bunny’s’ wish came true and on a sunny winter morning a smart little girl like smart Mr. Bunny looked at him and saw him! And the most unexpected thing happened!  
Mr. Bunny suddenly realized that he couldn’t get out.  He couldn’t walk away from the wall because it was his home. And he wasn’t sad to find that out. He knew that he would get to live the adventures he dreamed of, that he would imagine them and perpetuate them through spoken word. And he felt more alive than ever because he knew he had made and unforgettable mark on that little girl’s life. He knew that the little girl saw him and that she would keep him alive. She would tell about Mr. Bunny to her children, she would grow up and grow old and keep him in her memory. She would imagine Mr. Bunny living the adventures he would never live for himself and she would write them. She would write those adventures, she would write about that curious little white bunny she saw, with rounded glasses and two big front teeth and think “What an intellectual touch he had.”

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Mouros ~ Sunny Day

Porque a inspiração é uma página em branco, já dizia o poeta.
Não me lembro, de facto, da última vez que me sentei para escrever. Ou que parei para escrever, sequer. Para mim, a escrita surge-me sempre como um impulso, uma necessidade que me assalta a alma sem pedir licença.
Assim sendo, não sei que inspiração é a minha. Sei, com toda a certeza, que é sempre o amor que me leva a escrever. Não há musa maior que o próprio Amor.
Mas nem é sequer sobre isto que quero escrever. Ou melhor, é e não é.
Eu quero escrever sobre ela. Sobre ti, se me leres.
Gosto tanto de ti, e isso é dizer pouco. É começar e acabar por se dizer muito pouco.
É dizer tão pouco. Sempre. E é, ao mesmo tempo e contraditoriamente, dizer a maior das verdades. A verdade das verdades. A verdade, que é só uma e uma se entenda, tão quanto e tão bem:
Gosto muito de ti.
Muito.
E é em esforço que tento passar para palavras aquilo que sinto. Escritos todos os sentimentos são pensados, pensados sobre a melhor maneira de serem ditos.
Não há palavras que cheguem para expressar um sentimento. Mas, no entanto, as palavras dizem muito. Eu sou daquelas pessoas que acredita nas palavras e no seu poder. Eu adoro palavras. Dizem-me tanto, e às vezes tão pouco. E é precisamente por isso que as amo. Eu acredito que as palavras fazem amor.
Les mots font l' amour. 
E, apesar das palavras - para além das palavras - existem gestos, suspiros, respirações. Existem momentos e segundos e horas e minutos.
Existem olhares.
Há olhares que se entendem melhor que as palavras, que falam mais alto do que elas.
Eu gosto muito de ti e vou deixar que os meus olhares e os nossos momentos transmitam tudo o resto de que eu não sou capaz. Nem quero.


7.

@

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Parabéns. @

Abu-te buito!
Cause no one gets me like you do. :')

sábado, 5 de março de 2011

"Cesariny Capital"

"Apresentar-te aos deuses e deixar-te
entre sombra de pedra e golpe de asa
exaltar-te perder-te desconfiar-te
seguir de helicóptero até casa
dizer-te que te amo amo amo
que por ti passo raias e fronteiras
que não me chamo mário que me chamo
uma coisa que tens nas algibeiras
lançar a bomba onde vens no retrato
de dez anos de anjinho nacional
e nove de colégio terceiro acto
pôr-te na posição sexual
tirar-te todo o bem e todo o mal
esquecer-me de ti como do gato"

Mário Cesariny

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

silêncio ensurdecedor.

não consigo ouvir mais este silêncio.
baque sonoro,
shhhhh!
silêncio.
de garganta fechada as palavras sufocam,
s i l ê n c i o.

na sujeição do tempo ao som
som surdo branco,
contrafaccção de momentos.
parte-se a voz,
e tudo é silêncio.
mestria de som mudo
i n s u p o r t á v e l.
e faz barulho.

a noite susurra
um coro de vozes penetrantes
g r i t a n t e s!
silêncio insuportável,
cala-te!
e num fecho de luzes negras,
fecha-se sobre si,
como uma flor.

terça-feira, 15 de junho de 2010

|m|

Hoje acordei com uma borbulha, daquelas que não se vêem mas doem.
It got me thinking.
Geralmente, as coisas que não se vêem são as que doem mais.
[Esta cabeça não pára, nunca.]